"O Estado Elétrico" Provoca Ações Diversas ao Abordar Revolução das Máquinas

"O Estado Elétrico" Provoca Ações Diversas ao Abordar Revolução das Máquinas

Sthefano Cruvinel
Sthefano Cruvinel
Empreendorismo
24 Mar 2025

Quando você chegar em casa hoje à noite e ligar a TV ou notebook à procura de uma distração, aqui vai uma dica: assista ao filme The Electric State (O Estado Elétrico), da Netflix. Mas, por favor, só me critiquem por causa da dica depois de chegar até o final deste artigo e após assistir ao filme.

O filme dos irmãos Anthony e Joe Russo poderia ser o que muitos apontam como “uma receita de sucesso”, ou seja, odiado pelos críticos e aclamado pelos espectadores. Não fosse por um detalhe: tanto a crítica especializada quanto boa parte dos espectadores têm pegado pesado com os diretores e criadores da saga fictícia. Parafraseando uma fala de um dos personagens, “tem que ter muita casca grossa”. Acompanhei vários canais especializados no YouTube e posso garantir que a maioria dos comentários que li segue uma linha parecida no sentido de encarar a história como mais do mesmo, sem profundidade, com atores estelares interpretando os mesmos perfis de outros filmes nos quais participaram e um cenário repleto de planos fechados que não mostram a dimensão de mundo que a história pretendia contar.

Jornais conceituados internacionalmente têm atribuído adjetivos fortes para classificar o filme, entre eles: “sem alma”, “idiota”, “extravagante”, “óbvio”. A justificativa é que o enredo conta histórias já narradas por outros filmes, sem apresentar novidades, sem aprofundar nos personagens e levar a trama para um lugar comum. Mas o que mais impressiona é o seu orçamento. O fato de estar na mira da crítica é o que faz muita gente pensar onde foram gastos os 320 milhões de dólares (cerca de R$ 1,8 bilhão) de produção, o que torna O Estado Elétrico o filme mais caro já produzido pela Netflix. Será que, por isso, os produtores, receosos com a avalanche de críticas, tenham optado por lançar o filme diretamente na plataforma, sem correr o risco de um fracasso nas bilheteiras dos cinemas? Não creio. Até porque a Netflix é a maior plataforma de streaming atualmente e tem mostrado seu poderio investindo cada vez mais em grandes produções e em apostas como o próprio O Estado Elétrico.

Dito tudo isso, o leitor poderia me perguntar se essa não seria uma página de tecnologia e inovação, e não de crítica de cinema. Muita calma nessa hora. Primeiro porque o filme tem tudo a ver com tecnologia. É uma obra futurista, porém com um olhar retrô para uma década de 1990 imaginária. Segundo, porque nos remete a uma reflexão profunda sobre o futuro da humanidade e das máquinas. E terceiro, por entrar, superficialmente, numa questão bem atual: o tempo que passamos — ou que perdemos — diante de tabletes e outros componentes digitais vivendo uma realidade virtual.

A história se passa nos Estados Unidos nos anos de 1990, num cenário pós-apocalipse, quando robôs inteligentes se rebelam e se tornam uma ameaça à sobrevivência da humanidade. Em meio a uma guerra entre máquinas e humanos, uma empresa de tecnologia desenvolve réplicas de robôs que são controladas pela mente humana. Com o uso dessa engenharia cibemética, os humanos vencem a guerra, mas passam a ser dominados pela nova tecnologia que lhes apresenta um novo mundo baseado na realidade virtual. Idosos, adultos e crianças trocam suas atividades rotineiras, a interatividade e o esforço braçal pela distração proporcionada à mente. Com isso, se tornam dependentes tecnologicamente.

O filme ainda provoca uma reflexão, mesmo que de maneira superficial, sobre a independência das máquinas e até onde elas podem se equiparar à raça humana. Robôs inteligentes, e que desenvolveram sentimentos e emoções, querem ser livres e terem os mesmos direitos que os cidadãos de carne e osso. Será que algum dia as máquinas chegarão a esse ponto? A Inteligência Artificial generativa tem apresentado resultados surpreendentes, elevando o nosso conhecimento tecnológico a um outro patamar. Mas até onde iremos avançar e se há um limite prudente para isso, ainda são questões incertas e fruto de disputas entre gigantes da tecnologia.

O enredo do filme é uma adaptação do livro de ficção científica Estado Elétrico, do sueco Simon Stalenhag, que faz uma reflexão sobre os perigos de uma sociedade consumista viciada em tecnologia. Só que a crítica especializada considera que os produtores não retrataram a essência da obra. Ao contrário, alguns fazem até uma analogia do filme com o algoritmo por causa da quantidade de fatos, diálogos e cenas descontextualizadas da história. É como se um monte de situações tivesse sido colocado ali para agradar. Na mesma toada, ouvi crítica na qual o filme seria o resultado de um produto feito no ChatGPT.

Ironias à parte, o fato é que, em sua semana de estreia, o filme já apareceu em 1º lugar no TOP 10 semanal dos mais assistidos da Netflix. Pelo menos no aspecto comercial, o filme tem atendido à expectativa. Já em termos de conteúdo, fico com a crítica do comunicador PH Santos ao comparar em seu canal no YouTube a expectativa de entrega diante de um orçamento milionário: “A embalagem é gigante, o produto é pequenininho”.

E você, me conta depois nos comentários qual foi a sua percepção.

 

Fonte: Jornal Correio de UberlândiaGostou desse conteúdo e quer saber mais? Acompanhe o portal ou as nossas redes sociais.

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