A adoção massiva do PIX, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, tem colocado o Brasil em evidência no cenário econômico e tecnológico internacional. Em entrevista à Record News, Sthefano Cruvinel, auditor judicial e especialista em tecnologia, economia e relações institucionais, analisou como a ferramenta tem gerado impactos significativos em negociações e disputas de soberania digital entre nações.
Para Sthefano, o foco do debate vai muito além de simples “inovação” ou facilidade de pagamento. “Não se trata apenas de PIX ou de tecnologia isolada; a discussão é sobre soberania digital, o controle das informações, a massificação dos dados e o valor econômico que eles representam para cada país”, explicou. Esse entendimento coloca o PIX como um ativo estratégico, capaz de alterar dinâmicas de poder no ambiente digital global.
Durante a entrevista, Sthefano destacou que a tensão atual entre tecnologia e economia não é apenas comercial, mas também geoeconômica e relacionada à cibersegurança. “Os Estados Unidos e outras potências econômicas buscam proteger seus interesses no cenário digital. Isso cria uma pressão sobre soluções emergentes, como o PIX, que têm grande adoção popular e impacto econômico real”, afirmou Cruvinel. Para ele, essa pressão evidencia o reconhecimento internacional do sucesso tecnológico brasileiro e reforça a necessidade de proteger nossa infraestrutura digital.
Além disso, Cruvinel ressaltou que a resposta estratégica do Brasil precisa estar alinhada com objetivos de soberania digital e segurança nacional. Decisões bem fundamentadas, com base técnica e compreensão dos impactos macroeconômicos, são essenciais para equilibrar interesses econômicos, tecnológicos e políticos. “Proteger nossa base tecnológica é proteger nossa autonomia e capacidade de inovação diante de desafios internacionais”, concluiu.
Fonte: Record News
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