Brasil não pode deixar big techs mandarem no país, diz CEO de empresa de Direito

Brasil não pode deixar big techs mandarem no país, diz CEO de empresa de Direito

Sthefano Cruvinel
Sthefano Cruvinel
Big Techs
15 Jul 2026
Brasil não pode deixar big techs mandarem no país, diz CEO de empresa de Direito

O Brasil precisa criar leis para controlar grandes empresas de tecnologia como Google, Facebook e Instagram, que hoje têm muito poder sobre nossos dados e informações. O especialista Sthefano Cruvinel explica que essas empresas devem obedecer às leis brasileiras, pagar impostos e ser responsabilizadas por crimes que acontecem em suas plataformas.

A disputa sobre a regulação das grandes empresas de tecnologia (big techs) não é mais apenas sobre redes sociais, tecnologia ou liberdade de expressão. Para Sthefano Scalon Cruvinel, especialista em Direito e CEO da EvidJuri, o Brasil entrou em uma fase decisiva para definir quem manda no ambiente digital: o Estado brasileiro, por meio da Constituição, da Justiça e das leis, ou as plataformas globais, que têm mais poder econômico e informação do que muitos países.

  • O STF (Supremo Tribunal Federal) criou novas regras que responsabilizam as plataformas por crimes graves cometidos nelas
  • As empresas de tecnologia podem ser multadas se não tirarem do ar conteúdos criminosos como terrorismo, violência e exploração infantil
  • Sthefano Cruvinel diz que big techs não são "território soberano" e devem obedecer as leis brasileiras
  • O especialista alerta que essas empresas controlam dados, impulsionamento de posts e monetização, não sendo apenas intermediárias neutras
  • O Congresso Nacional também está discutindo novas regras para o mercado digital, enquanto as empresas de tecnologia tentam influenciar a decisão
  • O tema voltou ao centro das discussões depois que o STF definiu novas regras de responsabilidade para as plataformas digitais. Agora, elas têm o dever de cuidar para evitar que conteúdos associados a crimes graves sejam publicados e podem ser responsabilizadas se não agirem corretamente.

No STF, a decisão estabeleceu novas regras para aplicar o Marco Civil da Internet, especialmente em casos de crimes graves. A Corte definiu que as plataformas digitais podem ser responsabilizadas quando não tomarem medidas adequadas para impedir a circulação em massa de conteúdos ilegais ou criminosos.

A decisão também prevê que as plataformas devem ter cuidados especiais com conteúdos relacionados a atos antidemocráticos, terrorismo, violência contra a mulher, discriminação, induzimento ao suicídio ou automutilação, tráfico de pessoas e exploração sexual infantil.

Para Cruvinel, os dois episódios mostram que a regulação das plataformas digitais deixou de ser um assunto apenas do setor de tecnologia e passou a ser uma disputa institucional importante.

"O Brasil não pode aceitar que empresas estrangeiras operem aqui como se a internet fosse uma embaixada privada, imune à Constituição, à lei brasileira e ao controle da Justiça. Big tech não é território soberano. Se atua no Brasil, lucra no Brasil, coleta dados de brasileiros e influencia mercados brasileiros, precisa se submeter às regras do Brasil", afirma Sthefano Scalon Cruvinel.

Segundo o CEO da EvidJuri, há uma tentativa de reduzir o debate sobre regulação digital a uma falsa escolha entre inovação e censura. Para ele, essa visão empobrece a discussão e tira o foco do principal: a necessidade de responsabilização, transparência e controle das estruturas digitais que hoje organizam grande parte da vida econômica, social e política.

"Não estamos falando de punir tecnologia. Estamos falando de impedir que poder tecnológico sem controle vire poder político, econômico e probatório sem responsabilidade. A plataforma que controla dados, impulsionamento, bloqueio, monetização, ranqueamento e acesso ao mercado não é uma mera intermediária neutra", avalia.

No Brasil, o debate segue dividido entre diferentes frentes: a interpretação do Marco Civil da Internet pela Justiça, a atuação do Congresso na criação de novas regras para mercados digitais e a pressão de empresas globais de tecnologia sobre o desenho regulatório.

Fonte: Bra1

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